sábado, 15 de setembro de 2012

DIFICULDADES DA LÍNGUA - Porque ou por que


Três regras essenciais:
Utiliza-se porque em geral nas frases interrogativas e, portanto, na expressão «porque é que».
Utiliza-se também porque nas orações causais («Fomos embora, porque se fazia tarde»).
Utiliza-se por que (preposição por e interrogativo ou relativo que) quando pode ser substituído por «por qual», «por quais», «pelo qual», «pela qual», « », «pelas quais», ou seja, normalmente quando está presente na frase o substantivo ou nome a que o que se refere.

Escreve-se porque
a) Quando é advérbio interrogativo: «Porque não danças com ela?», «Porque fez ela tanto barulho?»
 Porque está ligado a um verbo, nestas orações interrogativas directas é um advérbio.
Também é advérbio interrogativo nas orações interrogativas indirectas: «Diz-me lá porque mentiste ao teu professor» «A mãe perguntou-lhe porque não foi com a Maria.»
A palavra porque é igualmente advérbio interrogativo depois do advérbio eis em frases do tipo destas: «Eis porque havemos de mobilizar o pessoal.» «Eis porque não gosto de carne de vaca.»
porque também é advérbio interrogativo em títulos de livros, como por exemplo: «Porque Viemos. Porque Sou Cristão. »; «Porque Sou o Que Sou? »

b) Quando é conjunção causal: «Não saio, porque não tenho dinheiro.»; «Ela ofereceu-me a camisola porque já tinha uma igual.»; «Fomos embora, porque estava prestes a chover.»

c) Quando é conjunção final. Neste caso é igual a para que, a fim de que, para: «Manda dous mais sagazes, ensaiados/Porque notem dos mouros enganosos/ A cidade e poder, e porque vejam/ Os Cristãos, que só tanto ver desejam» (Os Lusíadas, II, 7).

Escreve-se por que
Preposição por + que interrogativo ou relativo:
Por que razão terá ele dito aquilo? (= por qual razão)
Não sei por que motivo ela não contou o que sabia. (= por qual motivo)

Por que cargas de água tomou ele aquela decisão?
Por que mulher foste capaz de fazer tal loucura? (= por qual)
Ele sabe por que caminho deverá enviar os seus homens.
Tarda a decisão por que anseio. (= pela qual)
São muitas as provações por que temos de passar. (= pelas quais)
Ele desconhece as causas por que lutamos. (= pelas quais)



DIFICULDADES DA LÍNGUA - acerca de, a cerca de, há cerca de

Acerca de é uma locução prepositiva que significa "quanto a", "a respeito de", "no conceito de", "na opinião de". Ex.: A psicóloga esteve a falar acerca dos (de+os) problemas que mais afectam os jovens.
Ex.: Falámos acerca das (de+as) nossas vidas.
Ex.: Pouco sei acerca desse (de+esse)assunto.
Ex.: Acerca de trabalho, vi todos os classificados do jornal.


 A cerca de (com os elementos separados) significa "junto de", "cerca de", "próximo de", "perto de", "aproximadamente". Será uma locução adverbial.
Ex.: Encontrámo-nos a cerca de cinco metros do tribunal.
Ex.: Cerca de quinze formandos participam na acção de formação do SIPE.


Há cerca de resulta da conjugação do verbo Haver, na forma de há, com a locução prepositiva cerca de (caso anterior).
Ex.: Falei com ela há cerca de uma semana.
Ex.: Em Portugal há cerca de 10 milhões de habitantes.
Ex.: Há cerca de nove anos visitei a Noruega.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

DIFICULDADES DA LÍNGUA - à e há

"à" resulta da contracção da preposição a com o artigo definido a. Ex.: Cheguei à festa do Luís muito tarde. Ex.: Vou à escola quase todos os dias. Não confundir com "há" do verbo Haver. "Há" é a 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo haver. Ex.: Há semanas que não recebo notícias dela. Ex.: Cheguei há muito tempo.

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Leitura em dia...

UMA SUGESTÃO PARA A ANÁLISE/COMPREENSÃO DO CONTO "ARROZ DO CÉU"

Antes da análise do conto "Arroz do Céu", de José Rodrigues Miguéis, e como motivação, distribuí folhas para preenchimento lacunar com o poema "Cantar de Emigração", de Rosalia de Castro, grande nome da literatura da Galiza. Para os alunos completarem os espaços em branco, passei a música desta última composição duas vezes. Isabel Silvestre emprestou a voz a este magnífico trecho poético. De seguida, realizámos um debate muito produtivo sobre a e(i)migração, recorrendo, sempre que possível, ao poema supracitado. A tónica estava dada... Experimentem!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Particípios duplos - Está pago? Está pagado?


Muitos verbos apresentam duas formas: a regular, que se emprega geralmente com os auxiliares ter e haver; e a irregular que se conjuga principalmente com os auxiliares ser e estar.

Ex.:
Entregar
Tenho entregado (particípio regular com o verbo ter) as encomendas correctamente.
O livro foi entregue (particípio irregular com o verbo ser) hoje.

Aceitar
Tenho aceitado (particípio regular com o verbo ter) todas as propostas.
A proposta foi aceite (particípio irregular com o verbo ser) por todos.




Todavia, tem-se verificado, desde há algum tempo, que há verbos em que se está a pôr de lado a forma regular (que termina quase sempre em –ado ou –ido) e a utilizar-se a forma irregular como acontece com os verbos ganhar, limpar, pagar, entre outros.



Eu já tinha pago (forma irregular com o verbo ter, contrariando a regra acima descrita) a conta.

A conta está paga (particípio irregular com o verbo estar, seguindo a regra supra mencionada).


Conclui-se que não há regra sem excepção e que a expressão “O jantar está pago” não é incorrecta.